sexta-feira, 8 de junho de 2007

Renascer


Nascemos, vivemos,
Dizem que morremos,
Não sei se é assim...

Não será a morte
Simples invenção?
Apenas passagem,
Mudança de imagem,
Nova dimensão?

Se assim não for,
Não quero saber,
Que ninguém mo diga!
Recuso-me a ser
Um computador
Que alguém desliga.

Recuso-me a morrer
Se não acreditar
Que posso renascer
Quando me apetecer

Serei homem, golfinho,
Flor, sereia, mulher...
Andorinha ou verde pinho
Serei tudo o que quiser

Posso andar às voltas
Num renascer sem fim
Mas nunca as pedras soltas
Serão parte de mim

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Pergunto por ti


À luz do sol,
à chuva que cai,
ao vento que passa,
eu pergunto por ti,
mas ninguém responde…

O vento muda,
pára de chover
e até o sol se esconde
para não responder…

Tu desapareceste,
levando o encanto
e toda a beleza
dos dias primaveris

Eu vou perguntando,
a toda a natureza
onde é que tu estás
e se estás feliz.

Vejo os teus olhos
nas águas do mar.
Olho a luz do sol,
vejo-te a sorrir.

É tanta a beleza,
que chego a pensar
que te foste fundir
com a natureza
para poderes brincar.

A busca da verdade

A humanidade
procura a semente
da fertilidade
do primeiro ente

Desde os tempos mais distantes
que o homem quer saber mais
e tem problemas constantes
com crises existenciais

Mas que faria a seguir
se com a constante luta
acabasse por descobrir
a verdade absoluta?

Qual seria o incentivo
para continuar a viver
sem o seu objectivo
de tudo querer saber?

Pensa saber o Homem
que a sua essência é a razão
as dúvidas que o consomem
são sobre a sua missão

Quer saber a Humanidade
com um querer profundo
se existe a eternidade
e como apareceu o mundo

E vai continuar
a procurar
a semente
da fertilidade
do primeiro ente

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Coisas não ditas


São tantas as coisas
que te queria dizer
mas não tenho a certeza
se as irias entender

Poderia falar-te
de desejos secretos
fantasias sem fim
são tantos os segredos
guardados em mim

Viajei por toda a terra
só com o meu pensamento
vi pouco amor, muita guerra
muita dor e sofrimento

Talvez tu vejas apenas
fantasias de criança
mas sonhar faz bem à alma
e alimenta a esperança

Sonhos loucos de voar
andar ao sabor do vento
nos meus braços envolver
todo o mundo num momento

Caminhar sobre os oceanos
com perfume de maresia
fazer amor com as ondas
numa nuvem de magia

Abarcar toda a tristeza
todo o ódio encoberto
sepultá-los lá bem longe
num infinito deserto

Poderia falar-te
de desejos secretos
fantasias sem fim
são tantos os segredos
guardados em mim

Para ti amiga


Hoje escrevi
só para ti.

Fiz esta melodia
com muita dedicação
para te alegrar o dia
te aquecer o coração.

Sei que és minha amiga,
minha amiga de verdade,
e o melhor desta vida
é ter a tua amizade.

Conta comigo
a todo o momento,
seja de alegria
ou de sofrimento.

Quando a tristeza te invadir
e não conseguires suportar
tens-me a mim para te ouvir
tens o meu ombro para chorar

Posso-te falar
sempre que preciso,
diz-mo o teu olhar,
diz-mo o teu sorriso.

És um hino à amizade,
símbolo de sabedoria,
no teu ar de humildade,
sem sombra de hipocrisia.

Por isso,
foi só para ti, amiga
que eu fiz esta cantiga!

terça-feira, 5 de junho de 2007

Tu (natureza)


Tu
és a noite
e a luz
és a brisa do mar
És luar e lua
és o sol a brilhar

Encerras em ti
a fonte da vida
o segredo da morte
os elementos do bem
do mal e da sorte

Tu
és vento
e és fogo
és nascente na terra
És o céu
e as estrelas
és a paz e a guerra

Tens ternura de arco-íris
e raiva de furacão
és natureza inacabada
sempre em transformação

Tu
és flor a morrer
és semente a florir
és o ser e o não ser
num eterno devir

Era uma vez uma flor...


Era uma vez uma flor
elegante e perfumada
símbolo de liberdade
promessa de alvorada

Não tinha um nome qualquer
de homem ou de mulher…

Não tinha nome de rosa,
acácia ou margarida,
era alegre e orgulhosa
com cor de sangue e de vida

Não poderia ser jacinto
amor-perfeito, absinto...

Foi um cravo encarnado
com beleza sem igual,
que acordou Portugal
nesse Abril tão desejado!

Só que o tempo, ao passar,
faz muita coisa mudar...

Também o cravo passou
a ser flor entre as demais,
logo que Abril murchou,
e, com ele, os ideais.

Onde estarás tu agora
ó cravo primaveril?
não deixes que deitem fora
os nossos sonhos de Abril!
(in letras dispersas)

O sonho especial


Hoje tive um sonho
um sonho especial
sonhei que conheci
um ser celestial

Era um ser de luz
vestido de energia
que me acolheu
com toda a simpatia

Pegou-me na mão
pediu que o seguisse
disse que me mostrava
tudo o que eu pedisse

Resolvi aproveitar
este encontro impossível
para tentar desvendar
tudo o que é invisível

Pedi que me dissesse
a cor do pensamento
e o que o faz correr
ainda mais do que o vento

As cores da amizade
e da imaginação
o tom da igualdade
a cor da ilusão

Quis saber também
se tinha algum plano
para ajudar o mundo
a tornar-se mais humano

Fiz ainda perguntas
sobre outros mistérios
que envolvem a terra
e os seus hemisférios

Tudo quis saber
tudo perguntei
ele ia responder
mas eu acordei
Ana de Fátima Janeiro (in letras dispersas)

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Sombra e luz



Se os horizontes se fecham
e as nuvens não deixam
chegar até nós a luz,
o pesadelo acontece,
a alma entristece,
nada nos seduz.

Sai o medo da sombra,
nada mais faz sentido,
há uma ameaça de bomba
ao mais pequeno ruído.

É o mundo a cair
sobre os nossos ombros,
teremos que sair
de debaixo dos escombros.

Se ninguém nos vier salvar
da sombra que nos invade,
como iremos encontrar
de novo a claridade ?

A nossa auto-estima
lá vai tacteando
na escuridão,
enquanto lastima
e vai esperando
que as nuvens se vão...

Se eu soubesse


Se eu soubesse escrever
como os grandes autores
das obras que já li
escrevia sobre os amores
e tudo o que já vivi

Escolhia um tema
e fazia um poema
que lia só para ti

Se eu soubesse pintar
comprava uma tela
e pintava o amanhecer
a paisagem mais bela
que se pode ver

Pintava uma flor
com a cor do amor
para te oferecer

Se eu soubesse compor
pegava numa pauta
e punha-me a inventar
a música mais bela
que se possa imaginar

Criava uma melodia
de amor e magia
para te dedicar

domingo, 3 de junho de 2007

A nossa jangada


Em cada momento
de meditação
vivemos num mar
de pura ilusão
onde a esperança
se vai banhar
e impedir o sonho
de naufragar

Nesse oceano de fantasia
flutua um mundo à nossa imagem
onde os ventos são só aragem
e as tempestades são acalmia

E assim embalados
conseguimos soltar
os sonhos acorrentados
e sentir intensamente
o prazer de navegar
ao sabor da corrente
Numa imensa jangada
Só pelo sonho criada
E nesta quimera
por nós inventada
estará sempre à espera
a nossa jangada

Cabeça que sonha
transforma o real
em promessa risonha
de um mundo ideal

A nossa dimensão


Alguém disse um dia
que na sua ideia
nós não somos mais
do que um grão de areia

Só o olhar da mente
tem a percepção
de qual é realmente
a nossa dimensão

Somos um grão
dum imenso areal
e buscamos em vão
o nosso ideal

Mas no universo
na sua imensidão
não estamos sozinhos
se seguirmos os caminhos
no sentido inverso
da nossa solidão

Há que aprender
que só acompanhado
e com sabedoria
não se é arrastado
pela ventania

E que a verdade
não passa de um mito
que perseguiremos
até ao infinito

Cada ser isolado
é um grão disperso
que pode ser levado
pelo vento adverso

Manual de Instruções

Um dia iremos nascer
com um livro de instruções
que nos dirá o que fazer
em todas as situações

Com botões assinalados
desde a cabeça aos pés
ligados ou desligados
conforme as nossas marés

Se a vida correr mal
será fácil a solução
é só ir ao manual
e descobrir o botão

Sentiremos alegria
no lugar da solidão
desligando a apatia
e activando a paixão

Para um estudo aprofundado
desta invenção da ciência
não convém ter desligado
o botão da inteligência

Nesse livro milagroso
estará esquematizado
tudo o que é perigoso
e que deve ser evitado

Mas enquanto não o temos
o melhor é ir vivendo
do jeito que nós sabemos
com os erros aprendendo

Mesmo sem a perfeição
nunca estaremos sós
enquanto a imaginação
habitar dentro de nós

sábado, 2 de junho de 2007

Vem comigo


Vem comigo
ver o sol a nascer
vem sentir a calma
inundar-te a alma
e deixar -te levar
por essa beleza
do alvorecer

Vem comigo
assistir à chegada
da nova madrugada

Começar o dia
de forma diferente
sentindo a magia
vinda do oriente

Vem ver
como os pensamentos
se vão clareando
e como os sofrimentos
se vão dissipando
quase sem dares por isso
como por feitiço


Vem comigo
ver o sol a nascer

Vem comigo
ver o amanhecer

sexta-feira, 1 de junho de 2007

A caminhada

Destino by Salvador Dali

Passo a passo
devagarinho
faço e refaço
o meu caminho

Vem-me à memória
essa lenda antiga
onde os caminhantes
seguiam guiados
pelos rastos brilhantes
duma estrela amiga

Procuro sinais
no caminho que sigo
que me indiquem um cais
ou um porto de abrigo

Povoando as margens
vejo os dissidentes
por certo guiados
por estrelas cadentes

Dão voltas e voltas
ao seu desalento
como folhas soltas
dispersas pelo vento

E algo me diz
que para ser feliz
nesta caminhada
há que persistir
sem sair da estrada

Passo a passo
Devagarinho
Faço e refaço
O meu caminho
(in letras dispersas)

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Escrever...

Escrever é...



Agarrar as letras
dispersas

que dançam no ar.



Desenhar palavras

e prendê-las ao papel

dispostas em frases

pintadas

ao sabor da imaginação.