domingo, 3 de junho de 2007

A nossa jangada


Em cada momento
de meditação
vivemos num mar
de pura ilusão
onde a esperança
se vai banhar
e impedir o sonho
de naufragar

Nesse oceano de fantasia
flutua um mundo à nossa imagem
onde os ventos são só aragem
e as tempestades são acalmia

E assim embalados
conseguimos soltar
os sonhos acorrentados
e sentir intensamente
o prazer de navegar
ao sabor da corrente
Numa imensa jangada
Só pelo sonho criada
E nesta quimera
por nós inventada
estará sempre à espera
a nossa jangada

Cabeça que sonha
transforma o real
em promessa risonha
de um mundo ideal

A nossa dimensão


Alguém disse um dia
que na sua ideia
nós não somos mais
do que um grão de areia

Só o olhar da mente
tem a percepção
de qual é realmente
a nossa dimensão

Somos um grão
dum imenso areal
e buscamos em vão
o nosso ideal

Mas no universo
na sua imensidão
não estamos sozinhos
se seguirmos os caminhos
no sentido inverso
da nossa solidão

Há que aprender
que só acompanhado
e com sabedoria
não se é arrastado
pela ventania

E que a verdade
não passa de um mito
que perseguiremos
até ao infinito

Cada ser isolado
é um grão disperso
que pode ser levado
pelo vento adverso

Manual de Instruções

Um dia iremos nascer
com um livro de instruções
que nos dirá o que fazer
em todas as situações

Com botões assinalados
desde a cabeça aos pés
ligados ou desligados
conforme as nossas marés

Se a vida correr mal
será fácil a solução
é só ir ao manual
e descobrir o botão

Sentiremos alegria
no lugar da solidão
desligando a apatia
e activando a paixão

Para um estudo aprofundado
desta invenção da ciência
não convém ter desligado
o botão da inteligência

Nesse livro milagroso
estará esquematizado
tudo o que é perigoso
e que deve ser evitado

Mas enquanto não o temos
o melhor é ir vivendo
do jeito que nós sabemos
com os erros aprendendo

Mesmo sem a perfeição
nunca estaremos sós
enquanto a imaginação
habitar dentro de nós

sábado, 2 de junho de 2007

Vem comigo


Vem comigo
ver o sol a nascer
vem sentir a calma
inundar-te a alma
e deixar -te levar
por essa beleza
do alvorecer

Vem comigo
assistir à chegada
da nova madrugada

Começar o dia
de forma diferente
sentindo a magia
vinda do oriente

Vem ver
como os pensamentos
se vão clareando
e como os sofrimentos
se vão dissipando
quase sem dares por isso
como por feitiço


Vem comigo
ver o sol a nascer

Vem comigo
ver o amanhecer

sexta-feira, 1 de junho de 2007

A caminhada

Destino by Salvador Dali

Passo a passo
devagarinho
faço e refaço
o meu caminho

Vem-me à memória
essa lenda antiga
onde os caminhantes
seguiam guiados
pelos rastos brilhantes
duma estrela amiga

Procuro sinais
no caminho que sigo
que me indiquem um cais
ou um porto de abrigo

Povoando as margens
vejo os dissidentes
por certo guiados
por estrelas cadentes

Dão voltas e voltas
ao seu desalento
como folhas soltas
dispersas pelo vento

E algo me diz
que para ser feliz
nesta caminhada
há que persistir
sem sair da estrada

Passo a passo
Devagarinho
Faço e refaço
O meu caminho
(in letras dispersas)

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Escrever...

Escrever é...



Agarrar as letras
dispersas

que dançam no ar.



Desenhar palavras

e prendê-las ao papel

dispostas em frases

pintadas

ao sabor da imaginação.