terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Sem saída



"Quando olhas muito tempo
para um abismo,
o abismo olha para ti"

Nietzsche

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Será
esta
a
porta
do
"embora"
???
...

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Para ti "tons de roxo"


Aqui...
No meio do nada
A caminho de parte nenhuma

Caminhando...
por caminhar
Cérebro desligado
para não pensar

Só tu reparas
e perguntas porquê
será que vês em mim
o que mais ninguém vê?

Já que me vieste despertar
deste sono profundo
promete que vais emprestar
os teus olhos ao mundo
para que todos me vejam
através do teu olhar



domingo, 20 de janeiro de 2008

Nada

O nada existe?
O que é o nada?

Cascata de liberdade

em leito de amor profundo


mata sedes de verdade


regando os sonhos do mundo

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

ecos


Ecos de vozes no vento
gritaram esta mensagem:
“A vida dura um momento,
estás aqui de passagem

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

sem título


Neste mundo que habitamos
Neste mundo em que acredito
Pelo Sonho é que vamos
Em busca do infinito

Sonhos

Sonhos
enrolados
em pedaços
de arco-íris

(imagem gráfica: Jeff Field)

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Noite


Noite…
Passos incertos
em caminhos desertos
Sombras e recantos
de negro vestidos
cabeças povoadas
de sonhos perdidos
Corpos que vagueiam
na escuridão cerrada
fantasmas do mundo
viajantes do nada

(Imagem- Vangogh-noite)

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Fragmentos

O cigarro trémulo entre os dedos
amarelos
um lampejo de loucura nos olhos
ainda belos
um esgar parecido com sorriso no rosto
frio
a mão estendida que regressa ao bolso
vazio
o desenho do palavrão em mímica
disfarçada
a cabeça sem cabelo, sem esperança, sem sonhos,
sem nada…
(Ana Janeiro in "Letras Dispersas")

Imagem: lonely_man_3_by_cagriturkkan.JPG

terça-feira, 10 de julho de 2007

terça-feira, 26 de junho de 2007

Os saberes esquecidos


Vamos ver
os tons invisíveis
que tem o sentimento
Paletas incríveis
de deslumbramento

Ouvir
os sons inaudíveis
que tem a natureza.
Vozes inesquecíveis
de eterna beleza

Sentir
o toque sensual
de alguém imperceptível
Sensação imaterial
de todo o impossível

Cheirar
os aromas exalados
por flores inexistentes
Perfumes sublimados
pelo poder das mentes

Saborear
todo o insondável
das coisas sem sabor
Apetite insaciável
de um mundo de amor

Vamos recordar
os saberes esquecidos
usando a alquimia
dos nossos sentidos
(Ana Janeiro in "Letras Dispersas")

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Letras dispersas


Fogem as letras
cada vez mais dispersas
na mente
fragmentada
tão vazia de tudo
tão cheia de nada

Pedaços de vida
Retalhos de pensamento
A memória ensurdecida
Ecos de silêncio...

Anseios
Devaneios
Vivências
Incongruências

Reticências...

Sem regresso


Chamei-te
Do ponto mais alto da mais alta montanha,
Mas tu não respondeste.

Gritei o teu nome
No sítio mais fundo do vale mais profundo,
Mas tu não ouviste.

Procurei–te
Nos locais mais recônditos das longínquas aldeias,
Mas não te encontrei.

Perguntei por ti
Ao sábio mais sábio dos sábios do mundo,
Mas ele não respondeu.

Entendi
Que não havia respostas para tudo na vida
E que era sem regresso essa tua partida.
Dentro de mim
Ecoavam palavras que não te pude dizer
E navegavam os gestos que ficaram por fazer.
Quando, por fim,
Cessei as perguntas e a indignação,
Encontrei-te alojado no meu coração.

sábado, 16 de junho de 2007


“Uma hora, alojada no bizarro elemento do espírito humano, pode valer cinquenta ou cem vezes mais do que a sua duração medida pelo relógio;
em contrapartida, uma hora pode ser fielmente representada no mostrador do espírito por um segundo”.
Virgínia Woolf, in 'Orlando'

"Fazer como as estrelas, sem pressa e sem descanso."

Goethe

terça-feira, 12 de junho de 2007

O Tempo que conta

Já não sei há quanto tempo aprendi a ver as horas.
Também não sei o que aconteceu ao meu primeiro relógio.

Mas sei que tinha no centro uma estrela dourada e que sobre essa estrela dourada
podia ver o movimento lento e ritmado dos ponteiros que marcavam a passagem do tempo.

O tempo... o que é o tempo?

Qual será o tempo que realmente conta?

O que nos faz correr de um lado para o outro e que de repente se transforma em passado, mesmo sem termos dado por isso?

Ou talvez seja aquele Tempo em que não há passado nem futuro e em que o presente é o somatório de momentos, instantes que às vezes são breves em termos físicos, mas que podem durar uma eternidade na nossa Mente.
Instantes que dão sentido à vida, que nos fazem crescer e que não podem ser medidos em horas, minutos ou segundos.

Inventem-se, pois, outras unidades para medir o Tempo.

Pode ser um gesto,
uma flor,
um sorriso,
uma lágrima,
uma estrela dourada...

O Tempo da Mente não tem princípio nem fim

É esse o Tempo que conta... para mim!
Ana de Fátima Janeiro (inédito)

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Aprender a fingir


No palco da vida
temos um papel
a desempenhar

Dão-nos à partida
o nosso batel
pronto a navegar

O que podemos fazer
depende da idade
e do que é de “bom tom”
para a sociedade

Não é de bom tom
sentar-se no chão,
deitar-se na relva
nem comer com a mão.

Ou andar pela rua
a cantar à lua
e em passo de dança,
se não és criança.

Se esquecemos as deixas
e recusamos as cenas
começam as queixas
e as nossas penas

Já não temos papel
para representar
nem o nosso batel
pronto a navegar

Tiram-nos o barco,
olham-nos de lado,
caímos ao charco.

Temos que sair
a nado e fugir
Ou aprender a fingir.

Os voos da mente


No labirinto sideral
onde voa a minha mente
consigo ver por instantes
um cantinho especial

É um mundo de magia
onde tudo é diferente
o amor e a alegria
são governo e presidente

Para exprimir o que sinto
nessas viagens incessantes
perco-me no labirinto
com os meus voos rasantes

E lá se vai o encanto
já estou noutro lugar
verifico com espanto
que não consigo voar

Neste canto onde entrei
aprendi o que é sofrer
e, se no outro voei
neste saio a correr

Entro então noutra porta
mesmo sem nela bater
e, já que ninguém se importa
fico aqui a viver

Não é um mundo perfeito
este onde vim parar
mas vou arranjar um jeito
de reaprender a voar